Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa

Completamente enebriado de sentimentos começo a tecer essas palavras, palavras que me vem soltas, que não possuem uma ideia central, uma coesão nem uma ordem métrica com paradigmas e linearidade, elas são sopradas como uma folha seca em um dia mórbido e triste em um local deserto, todas me vêem a mente como lâminas afiadas e sem direção, tortura-me pensá-las e se torna impossível entendê-las, uma energização toma conta do meu corpo como se todos esses sentimentos fosse algo palpável, e porque não seriam? É agoniante e ao mesmo tempo saboroso esse êxtase, sinto-me triste e desamparado com a profundidade dessa emoção e ao mesmo tempo sinto-me livre, alto, grandioso e poético só de saber que posso encontrar essa plenitude de sentimentos.


Nesse mergulho sinto toda a minha razão saindo um pouco de cena e os sentimentos totalmente aguçados, meu materialismo, meus axiomas, minha certezas, meu temperamento, flutuam por entre novos mares de sentimentos maravilhosos, de alegrias rememoradas, de sabores nostalgicos, de sons futuristas, de pensamentos que não quer pensar nada do que não seja esse belo dia presente. Queria ter o dom de grandes poetas para conseguir transcrever essa bela emoção dialogando com essa sombria tristeza. Não falo da tristeza no sentindo literal, mas de uma introspecção que te faz sangrar, de uma emoção que te faz entristecer, de uma dor que te faz sorrir... É uma loucura do sentir, que se alegra em ser louca, de não ligar para a conformidade da avaliação, de não buscar a aceitação alheia, de não precisar de nenhum outro reconhecimento que não seja do seu próprio mundo, uma esquizofrenia do sentir que não consegue se expressar e nem consegue ouvir, consegue apenas sentir, vibrar, ver as belezas com outras cores, olhar o antigo brinquedo esquecido pela convivência e encontrar nele alma e novas cores, um tom chamativo de novidade.



Como é boa essa loucura do sentir, os sentimentos sem razão prévia, sem horários, sem métodos, sem cálculos, sem jogos, uma emoção que ninguém lhe proporcionou mas que você sozinho conseguiu encontrar, como se tivesse em meio a páginas e páginas de um grande livro e encontrasse uma que se dedicasse só a vc, um novo espetáculo, com novos espectadores, um novo sentindo ao egoísmo, uma sentir sem depender do outro, uma graça contínua de sorrir e se divertir.
Uma dor agoniante, uma emoção frustante, um largo sorriso, uma pequena lágrima e uma grande emoção, uma mutação de sentir que não precisa do pensar, um TOC de ideias, uma viagem psicodélica, lembro-me de uma música que não me recordo, entre tantas emoções deve ter alguma que sirva.

Por incrível que pareça isso tudo foi apenas uma introdução que essa cachoeira do sentir não quis cessar. Lembram-se que falei sobre a realidade paralela? Sinto-me assim nesse momento, acabo de assistir mais uma vez Sociedade dos Poetas Mortos, assisti pela primeira vez com 17 anos, 4 anos depois assisto novamente, com um novo olhar, uma nova perspectiva, com uma nova consciência, quando assisti pela primeira vez ainda não tinha lido Thoreau, ainda não gostava muito de poesia, por fim terminei o filme, em uma realidade onde as estrelas podiam ser tocadas, onde os deuses seriam cordiais e gentis, onde o belo dia chuvoso de nuvens carregadas trouxesse um forte brilho no seu cinza, gotículas de órvalhos correndo no rosto com uma doce essência desconhecida pela aparência. Meus sentimentos apreciam a simplicidade nessa nova realidade e todo aquele chato vocabulário fica para outros textos, quero exprimir o óbvio repetitivo da profundidade anestesiadora desse momento, fazer das palavras sentimentos que nunca nem um leitor vai conseguir sentir igual, (fará sua nova criação com suas novas loucuras), nem dimensionar essa sinceridade.








Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.





Um sentir tão poderoso, que as palavras fogem como prostitutas em um bordel em chamas parafraseando Maiakóvski, não vejo uma forma racional de concluir essa postagem, não consigo delimitar um fim, não queria o fim desse sentir atual, queria que pela primeira vez algo fosse eterno e eternizasse esse momento de forma repetitiva e chata, para que os sentimentos nobres sorriam e digam em voz alta em ar sarcástico, eu te disse... realmente incoerências me arrebatam nesse momento e não vou fazer você perder mais tempo com esses devaneios. :D


Saudações Esquizofrênicas.

1 Comentários:

Fantástico.

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