Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa

Em algum lugar da estrada sinuosa da minha vida perdi a chave do motor que faz funcionar meus sentimentos, como não uso muito ele, por demasiado tempo não senti sua falta, somente em um dia que dormia e meus sonhos foram invadidos por lembranças de como era bom esse motor funcionando, que me dei conta que não é possível caminhar sem a intensidade que os sentimentos pode proporcionar... o motor funcionando há uma leveza, uma sensação de conforto, devaneios recíprocos, alegrias passageiras que apesar de serem efêmeras docemente se repetem. Percebi que era muito importante dar meia volta e procurar novamente aquelas águas turbulentas e dar um mergulho de sonhos esperando tomar banho no mesmo rio de antes, que de algum jeito mágico parou no tempo na espera de que algum dia eu pudesse voltar e banhar-me nele novamente.

Quando perdi essa chave caminhava por vielas perigosas e lugares inóspitos onde tudo era muito escuro, atacado pelo medo de sofrer desliguei meu motor e joguei a chave fora, preferi caminhar no frio, pois tinha receio de cair do penhasco, preferi passar fome do que dividir o meu eu com alguém. Escolhi caminhar sozinho pois minha desconfiança de tudo me fazia imaginar que em algum momento ia ser empurrado cruelmente para o abismo, aquele mesmo abismo que um dia já passei e não quero voltar... Por continuar subindo sem parar a montanha, escalando, vivendo de extremos e paliativos não me preocupei com a chave, afinal queria subir e subir, subi à toa, cheguei em uma determinado ponto que somente tendo a leveza e a força que o motor de sentimentos proporciona poderia continuar caminhando. Era preciso resgatar a chave.


Dizem os que não sonham que mesmo encontrando o rio de antes jamais conseguiria tomar banho novamente nele, mas o que importa, mesmo que não seja o mesmo rio, mesmo que não seja mais possível eu entrar por causa da fúria de suas águas, relembrar a paisagem em volta dele e sentir novamente o barulho das suas águas vai ser recompensador, será revigorante e é nisso que eu acredito, sendo assim não tenho pra que continuar caminhando para um ponto luminoso em um horizonte desconhecido é bem melhor voltar para tentar ver novamente aquela paisagem que de alguma forma eu nunca mais consegui encontrar... Não vai ser difícil eu voltar, basta seguir os passos dos erros, relembrar as paisagens dos bons momentos, virar a esquina do orgulho que enfim encontro o bosque do renascimento.


Como o rio

aqueles homens

são como cães sem plumas

(um cão sem plumas

é mais

que um cão saqueado;

é mais

que um cão assassinado.

Na paisagem do rio

difícil é saber

onde começa o rio;

onde a lama

começa do rio;

onde a terra

começa da lama;

onde o homem,

onde a pele

começa da lama;

onde começa o homem

naquele homem. 

João Cabral de Melo Neto


Saudações apenas Saudações a Todos!

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Wesley Diógenes

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Contato: wesley_diogenes@hotmail.com Quero explicar que o nome alquimista do saber vem da ideia de uma busca constante do conhecimento e do aprendizado, é como se fosse um aventureiro em busca de uma dialogia de filosofias para chegar a um determinado conhecimento, o nome do blog não passa de uma analogia e não se configura como uma prepotência da minha parte.

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Brilhar para sempre,

brilhar como um farol,

brilhar com brilho eterno,

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