Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa




Em uma civilização chamada Senegoid um garoto chamado Sotam de apenas 15 anos resolve fugir de casa e subir as montanhas do povoado em que vivia, depois de acordar completamente ensopado de suor e em delírios, por um sonho que se perpetuou durante todo o seu sono e que o fez pela primeira vez em sua vida criar a capacidade de ultrapassar seus limites e buscar algo além, que o costume social desse povoado lhe oferecia. Ele resolveu escalar uma velha montanha, pois no seu sonho surreal, mostrava que se ele chegasse ao topo da montanha e esperasse o tempo que fosse necessário, uma luz brilhante viria do céu como uma estrela cadente e caiaria sobre ele, isso acontecendo ele conseguiria toda a sabedoria do mundo. Nessa peregrinação rumo a montanha, esse intrépido jovem, sofre todas as mazelas possíveis, fome, chuva, frio, medo, dores musculares, mas mesmo com todas essas barreiras seu objetivo era mais forte do que qualquer empecilho.

Quanto mais ele caminhava e subia, mais distante e sombrio ficava o cume dessa montanha. Depois de alguns dias de peregrinação e horas de sofrimento, de longe ele avistou uma pequena cabana, muito próxima a um desfiladeiro. Ele com sua fome quase destrutiva, resolveu bater na porta da cabana que se encontrava fechada. Bateu uma, bateu duas, bateu várias vezes e nenhuma resposta se ouvia. Por um momento ele escutou um barulho, isso tirou suas dúvidas de que aquela cabana estava inabitada, mais uma vez ele bateu e gritou e nenhuma resposta.


Então por um momento ele pronuncia algumas palavras sem esperanças.
- Estou apenas querendo subir o cume da montanha pra tentar encontrar uma determinada sabedoria que um sonho me mostrou.


Nesse momento ele escutou passos em direção a porta e o barulho da fechadura. Neste ínterim o garoto ficou totalmente inaudito observando apenas a expressão daquele homem com seus 70 anos totalmente estanho e sorumbático. Essa imagem causou-lhe um medo da cabeça aos pés e para completar aquele silêncio recíproco interminável lhe deixava amedrontado e aquele olhar penetrante do velho lhe fazia crer que ele tinha decifrado toda a sua alma. Com voz suave e rouca o velho o convida a entrar, ele ainda calado adentra a cabana.
O velho diz que vai preparar um chá e fala para o garoto sentar na poltrona rasgada e suja que se encontrava no meio da sala.


Logo depois entregou o chá e começou a indagá-lo.
- Quem te falou sobre mim? Com tom irritado perguntou o velho.

Meio que gaguejando respondeu Sotam

- Ninguém nunca me falou do senhor, eu apenas subi a montanha em busca do sonho que tive ontem.

- Você quer que eu acredite que apenas um sonho faria um garoto da sua idade ter coragem de subir essa montanha?
- Eu não quero que acredite, quero apenas que me alimente um pouco, pois estou faminto e quero que me diga como faço para chegar até o topo.
- E o que você vai fazer lá?
- Esperar a luz que vi no meus sonho descer até mim, para que eu possa adquirir sabedoria.
- E se essa luz não vier?
- Ela vai vir. O velho em tom irônico pergunta
- Você sabe ler? - prontamente e envergonhado ele respondeu: Não!
- Como você vai querer ter sabedoria sem aprender a ler? O garoto ficou pensativo com tom melancólico e engolindo o choro respondeu
- Tenho que ir se não posso me atrasar e perder a luz.

O jovem saiu em disparada da cabana, triste e reflexivo com aquelas palavras daquele velho. Caminhou mais alguns dias, até finalmente chegar ao cume da montanha. Chegando lá se acomodou e ficou na espera da sagrada luz que ele visualizou no seu sonho. Passou dias sem comer e beber apenas olhando o céu. viu várias estrelas cadentes, mas nenhuma que chegava até ele. Depois de 4 dias de espera, o velho da cabana aparece e senta do lado do jovem.


- Como eu falei essa luz não veio não é? disse o velho
- É acho que você tem razão, acho que tudo foi apenas um sonho.

- Agora que você fez todo o processo necessário, pode ouvir o que tenho para lhe dizer, peço que escute com atenção minhas humildes reflexões. Não se consegue sabedoria, milagres, dinheiro ou qualquer coisa que caia do céu. O céu é apenas a paisagem que nos faz crer que somos ínfimos e parte de um todo no universo, sendo assim as verdades e as sabedorias não são pronunciadas de lá como se alguém lá em cima estivesse falando, mas elas são angariadas com nossas experiências, observações e principalmente instigações. Você não viu a luz da sabedoria porque você quis que seus olhos vissem e não que seu coração sentisse, pois essa sabedoria é intrínseca, no momento que você enfrentava as adversidades para chegar aqui era o momento crucial do seu aprendizado, o fato de você não desistir lhe trouxe firmeza e serenidade e sua coragem enfrentar a solidão em busca da luz que seus olhos queriam ver, fez com que você vencesse seus medos, conhecesse a si mesmo e lhe trouxe a independência necessária para você não depender de ninguém pra ser feliz. Siga seu caminho, observe as pessoas, veja os erros que elas cometem e tente não cometê-los também,e use sua sabedoria sempre como proteção pra guardar seus sonhos.

Sotam depois de ouvir a voz sábia do velho da montanha ficou extasiado e extremamente feliz por saber que sua aventura tinha lhe proporcionado uma grande lição que ele ia guardar para toda vida.



Saudações Montanhosas a todos

" Não é que tenha perdido a cabeça, só não lembro onde a deixei"



Além de não saber onde deixei minha cabeça, não sei também onde coloquei minhas emoções, o brilho dos meus olhos, enfim parece-me que me tornei um ser pensante-vegetativo simultaneamente, tudo é superficial, sem raízes alguma com nada. É como se o sabor das coisas tivesse sumido, a alegria nunca conseguir ultrapassar as fronteiras de uma pequena efemeridade e o sorriso ser apenas um disfarce dos lábios, que ajuda a conter as lágrimas que os olhos insistem em querer derramar.



Pragmatismo é uma companheira fiel dos medos existenciais que me cerca. A Vida descolorida, desbotada, as perspectivas falhas, as utopias amordaçadas, a capacidade de criar sufocada por uma angústia sem fim, a ansiedade aterrorizante, a solidão que persegue até quando estou acompanhado de uma multidão. O passado nostálgico com o ônus de um dia ter sido feliz, um rastro de remotas lembranças de tempos coloridos e belos. A dor sufocante de não saber qual o motivo da dor e não saber em que local dói é tão terrível quanto uma dor física insuportável.


A letargia me acompanha como se nada tivesse acontecido, como se tudo fosse apenas surreal, e o que é real causa cautela e espanto, pelo medo dilacerante de querer arriscar. Tornei como um cristal muito frágil que precisa ser coberto com barreiras para protegê-lo, tais como: maquiavelismo e pradonizações de normalidade executadas por um aparelho cerebral altamente organizado em um demasiado pragmatismo repleto de inanição cíclica.



O aprendizado extraído disso tudo é único, o conhecimento endógeno se torna palpável, as descobertas que foram retiradas dos lugares mais recônditos e inóspitos do meu âmago, me faz ter um conhecimento muito grande sobre a construção do que eu sou, do que fui e do que eu possivelmente possa ser. Essa introspecção traz o reconhecimento dos erros, das dificuldades, dos pontos frágeis, traz à tona a sujeira que é minha existência. Traz consigo descobertas como a falta de flexibilidade e leveza nas coisas tornando o mundo muito sério e perigoso. Isso tudo é como um vírus invisível que penetra sorrateiramente no organismo destruindo aos poucos todas as minhas forças, impregnado de medos constantes, limitando minha capacidade, deixando-me vulnerável e principalmente SOLITÁRIO.





"Saudações solitárias e sorumbáticas a todos"

No momento em que perdemos todas as nossas forças, quando não encontramos mais nossos portos seguro, no momento onde a bengala que nos sustenta se perde, quando as cores perdem seu brilho tornando-se tudo em preto e branco e a alegria se torna sempre efêmera, sempre dando lugar a uma melancolia interminável. É aí que realmente refletimos e percebemos todas as besteiras que fizemos, todos os erros que cometemos e todas as preciosidades que deixamos escapar das nossas mãos como um pássaro que começa ser sufocado e decide voar.

Assistam o vídeo realmente é lindo!







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Contato: wesley_diogenes@hotmail.com Quero explicar que o nome alquimista do saber vem da ideia de uma busca constante do conhecimento e do aprendizado, é como se fosse um aventureiro em busca de uma dialogia de filosofias para chegar a um determinado conhecimento, o nome do blog não passa de uma analogia e não se configura como uma prepotência da minha parte.

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Brilhar para sempre,

brilhar como um farol,

brilhar com brilho eterno,

gente é para brilhar,

que tudo mais vá para o inferno,

este é o meu slogan

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Já dizia Dostoiévski em os Irmãos Karamazov: "SE DEUS não existe e a alma é mortal, tudo é permitido"


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"Um alquimista é aquele que vive sua lenda, Desbrava o desconhecido, que sabe que para chegar ao impossivel tem que caminhar por caminhos impossiveis. Brilha sua luz!Sua individualidade coletiva questionadora. Vamos nessa! Navegar é preciso." Clenilson Batista

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