Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa

Uma vontade súbita de escrever me assola nesse momento, pensei por dias em alguma ideia, tentei que caísse dos céus algum reflexo, algum sentimento, mas nada veio, parece que minha mente está completamente bloqueada, sendo assim, escreverei qualquer devaneio que me vier na mente concatenados e não concatenados, congruentes e incongruentes, pode ser que alguma se aproveite. Não é de madrugada, não estou com insônia no momento, não estou afligido por duras reflexões do meu eu, estou morbidamente vazio, vazio esse que não sei como preencher, mas para que preenche-lo, nem tudo deve sempre transbordar, nem mesmo tentar se encher, às vezes me pergunto se é mais difícil não sentir nada ou sentir, se é melhor fugir da dor tentando se proteger de tal forma que seja impossível sofrer ou buscar se aventurar no campo dos sentimentos que são extremamente perigosos e sombrios, mas também adoráveis.


A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.


Inspirado por Pessoa falarei sobre racionalização do sentimento, é anormal sentir com pensamentos, razão e orgulho? Muitos dizem que sim, acredito que agir com sensibilidade é ser idiota e vulnerável. Sinto ojeriza quando vejo pessoas deixarem o amor próprio se destruir por sentimentos que vão além da sua razão, por que se faz necessário seguir um código de conduta social tão detestável? Por que se declarar egoísta e prepotente é um insulto a esse código?
Cada um faz da sua vida o seu show, acredito que somos como mágicos que nunca podemos contar o segredo de cada mágica, porque se isso acontecer a mágica não pode ser mais única e saborosa.



Essa pensar do sentir falado por pessoa me leva a essa indagação que certa vez ouvi, são extremamente feliz os que não pensam? Creio realmente que alguma verdade deve haver aí, quantos mais reflexões são feitas, mais abatimento sofremos, devaneios, amarguras e decepções se tornam reais e a realidade é sempre cruel, por isso é importante acreditar no irreal, no metafísico, em heróis e em fadas, não termos isso é sermos sozinhos e sem esperanças, mas prefiro isso do que ilusão transcendental, mas confesso ser difícil viver assim...


Quando racionalizamos de mais constatamos verdades e armadilhas que possamos cair, se não pensássemos acharíamos que tudo é normal e um processo natural, isso seria muito menos dolorido afinal. Outro ponto da minha visão empírica sobre a relação do pensar e do agir nas relações interpessoais, é que ter indulgências com os imbecis é uma máscara que nunca devemos tirar, afinal se não tivéssemos íamos ter que nos contentar com o isolamento, pois, mesmo sabendo que muito são imprestáveis, eles podem pelo menos serem figurantes ótimos para que a peça de teatro que é nossa vida tenha novas falas e inovações.


Falando agora sobre sentimentos “racionais”, saint exupérri diz que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, mas também acredito que existem coisas que não devem ser acordadas, tem que permanecer indubitavelmente em sua cômoda letargia, pois o homem que se ludibria pelos seus sentimentos, [quando falo de se ludibriar pelos sentimentos não quero dizer que não se deva sentir, mas sim, não ser irracional] merece realmente sofrer, quem sabe sua burrice lhe ensine algo inteligente


Mas mesmo às vezes sendo irracional sempre há uma saída ou um aprendizado, ou seja, sentir irracionamente é igual a dor do porvir e a dor do porvir é igual ao remédio necessário para o crescimento, tudo segue o seu perfeito ciclo, veja bem: Ciclo 1: alegria; entusiasmo; descoberta; Ciclo 2: stress; decepção; prisão; Ciclo 3: dor; raiva e arrependimento.

Esses são os ciclos dos relacionamentos interpessoais que acredito ser real, sei que é complicado ser tão pessimista, por isso escrevi sobre a dualidade de pensar e não pensar e indaguei sobre ser mais felizes o que não pensam são, porque seria ótimo não ser racional, assim não haveria limitação ou medo e viveríamos irracionamente no deleite primoroso do amar sem pensar.
Desejas o sentir racional ou o sentir irracional fingindo que todas as consequências são apenas frutos imaginários do pensar e é melhor não pensar?
[entendeu?! hehe]
Pra finalizar toda essa prolixidade entendiante, abaixo vos deixo mais um pouco de Fernando Pessoa pra adoçar um pouco esse amargo texto.
“Os poetas místicos são filósofos doentes,

E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem

E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,

Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.”




Saudações sentimentais-pensantes.

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Contato: wesley_diogenes@hotmail.com Quero explicar que o nome alquimista do saber vem da ideia de uma busca constante do conhecimento e do aprendizado, é como se fosse um aventureiro em busca de uma dialogia de filosofias para chegar a um determinado conhecimento, o nome do blog não passa de uma analogia e não se configura como uma prepotência da minha parte.

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