Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa

Há muito tempo pensava em escrever em um blog, mas ao mesmo tempo lembrava que não gosto de escrever e sim de ler, mas como me aconselharam muito a expor um pouco das minhas idéias resolvi entrar nessa onda. Minhas idéias podem ser um pouco metódicas vcs podem dizer, um pouco obsoletas, porém são idéias e delas faço minha história e minha trajetória nebulosa.

Diria que tudo na minha vida começou com a aventura de dois jovens, um era um anjo e "deus", minha mãe e o outro era um crápula disfarçado de cordeiro. Essa aventura resultou na criação de um pequena criança que foi colocada em um cesta e foi jogada ao mar, no início ele [o mar] teve dó e complacência comigo, me trouxe, alegrias, abrigo, aconchego, se comportou como um bom menino. Ele me fez navegar sem olhar para os lados, ele deixou eu ficar cego apenas pela mediocridade do meu cotidiano e me impediu de fazer qualquer introspecção. Vida pacata, agitada, vida controlada pelo o "senhor" desse barco.

Engraçado o barco cada vez ficou maior e mais forte, o barco começou a fazer os questionamentos da vida, começou a querer buscar mais que apenas coisas simples e objetivas, ele foi fuçar as subjetividades e as conjecturas da vida, foi fazer testes e experimentos como um verdadeiro alquimista.

Foi através dos livros que me tornei um alquimista do saber. Procurei na literatura a verdadeira verdade da vida, as respostas para as perguntas mais complexas, procurei em minhas próprias introspecções saber por onde deveria navegar e por onde encontrar mares e ilhas onde fossem portos seguros para que meu barco não pudesse afundar.

Infelizmente, quando sentia que o meu barco era o que estava mais preparado para navegar e o mais seguro para se viver, onde na minha frente podia avistar belas paisagens, de ilhas lindas e oásis de sonhos, foi que meu barco sofreu uma terrível tempestades que o assolou e estar tentando afundá-lo.


Chegou o momento de eu tentar vencer essa terrível tempestade. Mas perguntas me vêem a mente. Como? como poderei vencer a força do universo e do destino? como tentarei vencer a própria vida e tentar, roubar denovo a vida que esse terrível universo tomou para si? como encontrar o caminho que me leva a navegações tranqüilas? Como? Como?

Essa é minha pergunta, como fazer o palhaço que vive nesse barco não desanimar e ter a esperança de não ver seu barco destroçado?


Como fazê-lo ter forças suficientes para vencer essa tempestade?

Será que posso enfrentá-la sozinho? Ou como os outros precisarei de uma vela metafísica-transcendental e passar a acreditar em algo que não conheço e ter fé em coisas não palpáveis/abstratas e administradas por homens tão vis quanto eu?

O que fazer o palhaço da vida? o palhaço da vida pergunta!


Será que eu mesmo, conseguirei vencer minhas próprias limitações e problemas? Ou serei uma marionete dos conselhos e paradigmas sociais de boa conduta?

Será que posso voltar a ser apenas uma criança que clama por vida?

Poderei continuar o mesmo, depois que saí da caverna e não vejo apenas sombras? Conseguirei reagir aos desafios que essa nova visão de mundo me causa? Terei forças suficientes para saber o que é saber o que é, e continuar sendo o que é?

A vida sempre nos prega peças cada vez mais ousadas e nos quer fazer sorrir, mas também quer nos fazer chorar. Somos um palhaço em suas mãos, só que ela é covarde e não sabe dizer se realmente estamos sorrindo ou se estamos chorando. Sorriso ou Tristeza o que temos?


Conseguirei ser lúcido e real nesse mundo surreal? Conseguirei vencer o tempo da vida? Conseguirei saber onde é o caminho e por onde posso navegar?

Perguntas e mais perguntas, mas quais são as respostas? Você poderia me informar?

Porque quando acordamos do sono desse mundo alienado a vida quer nos perseguir, será que ela tem medo de nós descobrirmos os segredos que ela nos esconde?

Porque nos perseguir tanto? Porque só que tem a capacidade de viver com suas próprias limitações, consegue ser o chamado e denominado o cara "feliz e realizado", porque os que questionam a vida e o mar são aterrorizados?

Porque quando desafiamos a vida e tentamos vencer o mar e atravessá-lo para vencer os nossos sonhos, temos que sofrer as mazelas e tempestades que a vida nos impõem, como Ulisses em sua Odisséia atrás de sua amada?

Até quando ficaremos parados esperando o tempo passar e continuarmos complacentes com ele permitindo que ele faça o que bem quiser com a gente?

Seria mais fácil, viver de forma pacata e alienada e ser o que todos são?! Mas, e se alguém tiver se perdido no mar do conhecimento da vida, como fará pra voltar? Terei que sofrer a solidão, os tormentos da alma e da vida de forma paciente e pacífica?

Serei obrigado a escolher a esquizofrenia e viver só em meu deficiente barco, serei obrigado a ser taxados de louco por apenas tentar descobrir os mistérios da vida?

Terei que pisar em ovos para poder viver de forma diferente e da forma que quero? Sempre serei o amargo da vida, por não querer ser o que ela me oferece? Serei sempre condicionado ao que ela quer de forma silenciosa e calma?

Toda vez que quisermos ser diferentes seremos cognominados de loucos?

São perguntas muitas perguntas e nenhum resposta. Apenas uma crítica profunda à vida, uma crítica profunda ao que é ser humano e viver do jeito que se quer viver sem ser atormentado por esse universo orgulhoso e maldoso.

Basta! Somos ordinários ou extraordinários como já dizia Dostoiévski? Somos Super-homens ou um bando de marionetes de algo superior que nem sabemos o nome e nunca o vimos?

A vida realmente é complexa! E será que um dia poderei eu saber viver de forma alegre e saudável?



Não?
Não?
Não?

A vida sempre dar um não!

O que a vida tem para oferecer de sim?

Somente aquilo que realmente ousamos roubar dela como nessa linda frase de Salomé (enviada pela minha amiga Solene)


Ouse, ouse... ouse tudo!!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!!
Lou Andreas Salomé

Lindo simplesmente lindo, mas o que queima dentro da gente é bloqueado por todas as forças que nos retrocederam e fizeram que nos tornássemos apenas os modelos padronizados dessa sociedade enlouquecida.

Tudo é perfeitamente arquitetado... poderia eu ser um Dom Quixote e tentar salvar o mundo e a mim?
Não farei isso, tentarei primeiro me salvar e me proteger, pois sou frágil a esse sistema torturador e ignóbil, sou descrentes dessas fórmulas de convívio social, dessas pseudo-amizades, desses amores fúteis e mentirosos.

Quero encontrar apenas a verdade e quem sou? porque querer saber isso é tão torturante e por querer isso ter que enfrentar Poisedon e Hades em meu pequeno barquinho que ainda mal sabe navegar?

Acho que posso finalizar! Não trazendo soluções, nem novas idéias que podem ser consideradas inovadoras ou fantásticas. Posso apenas me confortar com os pequenos raios de luzes que batem na janela do meu quarto quando a solidão e as torturas do meio-dia me afligem, esses pequenos raiozinhos de sol produzem em meu cérebro serotina, que consegue trazer por alguns segundos uma pequeníssima alegria para que eu possa de forma efêmera sorrir dessa vida louca.

Eu, então, por um raiozinho de sol amarelo dançando em minha parede teria dado todo um mundo. Maiakóvski


Finalizo com o poeta que me apaixonei e me deu várias lições, infelizmente ele não conseguiu suportar as torturas desse universo ingrato e se suicidou.


A Esperança

Injeta sangue
no meu coração,
enche-me até o bordo das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra
não vivi o meu bocado de amor.
Eu era gigante de porte,
mas para que este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada.
Com um toco de pena,eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.
Posso, se vos agradar,
servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastante porteiros?
Eu era um tipo alegre,
mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem
não é senão para vos morder
ou dilacerar.
O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesar...
Chamai-me!
Um sujeito engraçado pode ser útil.
Eu vos proporei charadas, hipérboles
e alegorias,
malabares dar-vos-ei
em versos.
Eu amei...
mas é melhor não mexer nisso.
Te sentes mal?
Tanto pior...
Gosta-se, afinal, da própria dor.
Vejamos... Amo também os bichos -
vós os criais,
em vossos parques?
Pois, tomai-me para guarda dos bichos.
Gosto deles.
Basta-me ver um desses cães vadios,
como aquele de junto à padaria,
um verdadeiro vira-lata!
e no entanto,
por ele, arrancaria meu próprio fígado:
Toma, querido, sem cerimônia, come!
Vladmir Maikóvski

Saudações Marítimas.

10 Comentários:

Sabia q isso era provável!
Vc tem bagagem para desenvolver suas idéias mais intrigantes!
Com todo esse combustível, vc será capaz de expor cada palavra de uma forma singular!

Tudo de bom pra gente...
A vida é dura, porém,
aprendí q podemos
ser mais duros q ela!

Bjão e tow por aki...
Precisando jah sabe o q fzr!!!

;**

Wesley...
Era o q faltava meu amigo!
Vc é muito astroo...
Isso vai te preencher ainda mais
com suas idéias expostas
vc pode alcançar novos navegadores
para esse barco(vida)!

Espero estar contribuindo para
um crescimento baseado em integridade...

E q vc consiga chegar ao topo meu querido!


Bjs de sua PARCEIRA =]

Brigado parceira!

Saudações marítimas, Comandante!

O tempo de apresenta instável. Bom para os corajosos. Os mais prudentes, para não dizer nervosos, preferem a calmaria.
Portanto, à frente, pode-se ter marolas, tufões ou bravias águas. Esse é o mar dos audaciosos.
Boa navegada para você neste blog que é uma verdadeira viagem!

Carpe Diem, Filósofo!

Abraços desse seu amigo,

Marcos Afonso.

Querido navegante,

Que você encontre boas novas no seu percurso.

A vida é tão rara...e nos resta tempo para perceber!

Bjos

Priscila

Muito bom o blog. Essa coisa de gostar ou não de escrever é apenas uma questão de hábito. Pode ter a certeza que com o tempo vai ser tão natural quanto ler.
Hehehehe
Até lá continue escrevendo.
Verás os bons efeitos das palavras.
Abraço.

Muito bom o seu blog cara...bem legal o texto..é isso ae cara...foi como o Leandro falou, é apenas uma questão de hábito...vc tem conhecimento suficiente para escrever belas palavras e nos presentear com suas idéias...

Um abraço de seu primo que te considera como irmão companheiro...

UAU....Meus parabéns...
Como é de seu costume, sempre nos surpreendendo com sua sapiencia...
Wesley, meu amigo, meu eterno amigo, acredito que nossos barquinhos sempre serão tao fortes quanto as tempestades...mas isto quando nossa esperença for tao imensa quanto este universo infinito...
Sempre acredite na vida...mesmo que ela tenha o mau costume de nos pregar peças nada comediantes...ainda assim, acredite nela...Afinal, pq se entregar e preferir abraçar a morte se a vida (mesmo com seus imbróglios e ingógnitas acerca de sua personalidade demasiadamente instável) ainda pode nos oferecer raios de luzes em nossas pequenas cavernas sombrias e úmidas...

Ah! Continue buscando as respostas...sei que tb encontrarás outras perguntas...mas este é o caminho.
Carpe Vitae!

"Sapientia, secretu vitae est"

Um forte abraço.

Jairo Costa

Muito Obrigado meu sempre e fiel amigo!

É isso ai, Wesley! Nevegar a vida é dá de cara com as psico realidades, impostas pelas ousadias intelectuais de alguns reles mortais que ainda estão por ai com seus paradigmas limitados, sobrevivendo em seus momentos intropectivos congelados em graficos alfabeticos, congelando mares com suas soberbas. Mas nem tudo pode ser alcançado por esses loucos alfabetizados, sempre existirar águas a serem navegadas. As tempestades viram. Mas tudo passa, até os mais violentos temporais, se não fosse assim, noe ainda andaria por ai com sua arca. Nas suas perguntas estar implicita sua disposição de navegador libertário, que não está disposto passa pela vida de olhos fechados. Quem busca, encontra.
Um alquimista é aquele que vive sua lenda, Desbrava o desconhecido, que sabe que para chegar ao impossivel tem que caminhar por caminhos impossiveis. Brilha sua luz!Sua individualidade coletiva questionadora. Vamos nessa! Navegar é preciso.

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Rio Branco, Acre, Brazil
Wesley Diógenes

Criar seu atalho
Contato: wesley_diogenes@hotmail.com Quero explicar que o nome alquimista do saber vem da ideia de uma busca constante do conhecimento e do aprendizado, é como se fosse um aventureiro em busca de uma dialogia de filosofias para chegar a um determinado conhecimento, o nome do blog não passa de uma analogia e não se configura como uma prepotência da minha parte.

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Brilhar para sempre,

brilhar como um farol,

brilhar com brilho eterno,

gente é para brilhar,

que tudo mais vá para o inferno,

este é o meu slogan

e o do sol.

Vladimir Maiakóvski


Os que mais amam são os mais egoístas - Dostoiévski


Já dizia Dostoiévski em os Irmãos Karamazov: "SE DEUS não existe e a alma é mortal, tudo é permitido"


"A memória do coração elimina as más recordações e magnifica as boas, e graças a esse artifício, conseguimos superar o passado." Gabriel García Márquez


"Um alquimista é aquele que vive sua lenda, Desbrava o desconhecido, que sabe que para chegar ao impossivel tem que caminhar por caminhos impossiveis. Brilha sua luz!Sua individualidade coletiva questionadora. Vamos nessa! Navegar é preciso." Clenilson Batista

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