Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa


Janis Joplin


Certa vez alguém que não me lembro quem nem quando colocou Summertime da Janis Joplin para que eu escutasse, foi algo mágico, quando ouvi aquela voz única e estrondosa fui inexplicavelmente arrebatado em uma introspeccção cheia de sentimentos, por mais que não entendesse a letra, pois sou totalmente leigo no inglês, conseguia sentir a vibração da dor e da angústia repassada através daquela música cantada por ela que em seguida se tornaria minha grande paixão musical.




A partir dessa música óbvio que fui atrás de pesquisar tudo sobre essa grande mulher, recentemente tive a oportunidade de ler sua biografia que do início ao fim é marcado pela a emoção, dor, sofrimento, entusiasmo e poesia, poesia de vida. Tentarei sucintar ao máximo sua biografia expondo as partes que acho essenciais e que de certa forma possui pontos em comum com o que acredito.



Janis nasceu na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos. Cresceu ouvindo músicos de blues, tais como Bessie Smith e Big Mama Thornton. Joplin concluiu o curso secundário na Jefferson High School em Port Arthur no ano de 1960, e foi para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com amigos.


Ela foi influenciada pela geração Beat que efervecia na década de 60 em São Francisco, possuia um estilo ousado, roupas coloridas, vários acessórios e muita muita droga. Sofria uma terrível perseguição desde o tempo colegial por seu aspecto diferente da maioria, crescida em uma região totalmente provinciana regada de valores bestas, ops morais. rs, era totalmente marginalizada. [Tentemos lembrar de nossa época de colégio, faculdade, sei lá, sempre tinha alguém que por ser diferente da maioria era alvo de ridicularização, críticas e sarcasmos... Certa vez conversei com um doutora em Sociologia chamada Tânia Silva, perguntada sobre o porque do preconceito, ela me falou algo que levo até hoje em minhas considerações: "Na sociedade de hoje tudo que é diferente sofre preconceito". Assim como Janis que era expulsa de bares e excluída de festas, assim me sinto, não por exclusão dos outros, mas por não conseguir encontrar espaço para que possa viver da forma que acho agradável.]


Em 1967 Janis estoura no mundo da música no famoso festival pop de Monterey, a partir daí Joplin vira uma celebridade, considerada até hoje a única mulher branca capaz de cantar blues, ela encantou e fez chorar de emoção uma geração que é impossível não invejar, uma época em que grupos de pessoas sonhavam com a paz, com o amor e a ideia utópica de um mundo melhor. Janis cantava blues, pois acreditava que o blues 'era querer ter uma coisa que não se pode ter nunca'. [O fato de querer ter uma coisa que não se pode ter é algo para mim tão real e tão forte em minha vida que é impossível não me encontrar nessas palavras, um exemplo: hoje vejo mulheres de todos os tipos, mas como minha psicóloga gosta de dizer, a mulher dos seus sonhos é a perfeição que você nunca vai conseguir encontrar, seja mais flexível. sic ¬¬. Não é que busque sempre algo que não possa ter, mas as coisas que quero são imbutidas de sonhos e como na época de Janis, sonhar não é uma coisa muito fácil.]


Antes mesmo do estrelato Janis já possuía uma dependência química de heroína extramamente forte, várias vezes tentou se tratar, entre um dos seus tratamentos realizou uma viagem ao Brasil em 1970 para assistir ao carnaval do Rio, em uma oportunidade foi convidada para o camarote presidencial, como de costume foi expulsa por seus modos nada peculiares para aquela época e foi encontrada no hall do municipal aos prantos, entre rios de lágrimas essas foram suas palavras:
- Man, vim de longe para ver o carnaval de vocês... vi aqueles caras sambando só com os pés e alma. Man, vim a essa festa enorme , fui convidada a subir a um camarote por gente que é muito famosa aqui; entro e eles me expulsam de lá. O que me incomodou foi o riso deles, a gargalhada daquela gente, todos rindo de mim. Sabe, man, eles não me conhecem, não querem saber o que penso, o que eu faço, não querem nem ouvir o meu canto. Só querem me ridicularizar, man, e isso dói. [É difícil conviver em uma sociedade onde os valores morais impostos são tão ridículos e preconceituosos que nos faz sentir ojeriza dela. A aparência, o dinheiro, a lei dos bons costumes (como eu odeio isso) são rigidas de uma forma tão pragmática e hipócrita, que prefiro ser um marginal dela do que entrar na roda desse sistema inaceitável e medíocre.]


No dia 4 de outubro de 1970 Janis morre de uma mistura mortífera de heroína, bebidas alcoólicas, sofrimento e muitas decepções que o sucesso e o reconhecimento não conseguiram sanar ou mesmo afagar. Aquela voz lírica, potente e carregada de sentimentos seria eternizada em suas músicas inesquecíveis. Seu corpo foi cremado e em uma cerimônia sua cinzas fora jogada no pacífico, ao encontro do mar de esperanças e sonhos realizáveis dos corações assim como o dela quiméricos. Quando a escuto, além da música, escuto meu ser, o sussurrar da minha alma, o entorpercimento vazio da dor, e a busca incensante da vida em sua plenitude.Vou tentando levar minha vida ao ritmo dessa sua frase simples porém extramamente complexa. "Meu negócio é aproveitar e se divertir. E por que não, se no fim vamos terminar mesmo?"



Saudações musicais a todos.

5 Comentários:

Realmente, á utopia de um mundo melhor há como eu queria que hoje ainda existisse pessoas
que procurassem a paz e amassem de forma constante. hoje o amor é uma coisa tão rara e o preconceito uma coisa tão comum . " que mundo é esse que ninguém entende o sonho ? que mundo é esse que ninguém sabe mais amar ♪ "

Existe uma diferença entre moral, imoral, amoral e moralismo. Se pensar nisso pode encontrar pistas pra escolher seu caminho e lidar com a tudo isso.

Engraçado como se fala facilmente sobre liberdade, moral, 'valores bestas' como você descreveu, quando não se vive isso.
Já parou pra pensar quantas vezes você julgou,não dialogou com alguém por sua aparência,comportamento, gostos, manias e crenças?

Falar é fácil.

Escrever, mais ainda.

Coerência.

Gostei do seu blog, vou seguir você.

Na verdade ler é fácil entender que é difícil.

Interpretação.


Que bom espero que goste das novas postagens.

Interpretação depende do ângulo em que você se insere dentro do texto.

Palavras, frases, vírgulas e pontos, tem multifacetas, cores, vivências.

Interpretar vem de dentro.

E escrever não é dificil.

Acredite, eu adoro. É libertador.

:)

abraço.

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