Alquimista do Saber

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” Fernando Pessoa


Abordar um assunto tão corriqueiro como a boêmia, drogas, libertinagem e em termos vulgar diria 'vagabundagem' é difícil para qualquer um comentar e escrever, mas de qualquer forma tentarei expressar esses tópicos ressaltando a beleza e a dor, (claro dualidade nunca pode faltar em meus textos) da diversão noturna que é o paliativo dos felizes em uma noite, a anestesia dos histéricos na solidão e a companheira fiel da liberdade mascarada com o batom da efêmeridade. Depois dessa chata introdução, vou tentar introduzir. (HAHAHA)


Uma vez uma moça que eu pagava para ficar na minha frente durante uma hora escutando tudo o que tinha para dizer me perguntou o seguinte: - Wesley por que a necessidade de se entorpercer? – Refleti alguns instantes e de forma sincera e convicta respondi: Além de precisar dos extremos, os entorpercentes pra mim é o caminho mais rápido, ágil e gostoso de fugirmos de uma realidade funesta de aparências, onde a razão nos coloca grilhões que não nos permite voar, tornando o mais simples complexo por frequentes e rigorosas introspecções críticas sobre o convívio social, tudo isso pelo motivo pífio de supervalorizar a realidade e a própria existência, tornando-nos materialistas e pragmáticos. Essa falta de leveza do ser - que acredito ser só quebrada pelo alteradores de consciência - nos tira a maior alegria dos felizes, que é a tão sonhada flexibilidade e para não continuar sendo prolixo direi: ‘são os entorpercentes que possuem em seu princípio ativo a flexibilidade.


Ficar um pouco desligado, meio que sem controle dos pensamentos, com os sentindos alterados, não representa apenas um tempo reduzido no presente, é uma lembrança que é revivida sempre pela nostalgia e aos poucos vai se eternizando no futuro de um modo especial na maioria das vezes. Nunca conseguimos medir o nível de nossas alegrias quando estamos entorpercidos, às vezes estamos vivendo a melhor sensação que já tivemos na vida e isso soa como um dia qualquer, acredito que deve ser pelo fato de que nesse momento não paramos para dimensionar nada e não nos importamos com julgamentos, preocupações ou angústias, a única lei é curtir aquele momento... eu pelo menos não consigo quantificar minhas alegrias, nem muito menos lembrar qual foi a melhor, mas uma coisa eu tenho absoluta certeza, a maioria das vezes que vivi momentos inusitados e felizes teve de alguma forma a introdução de algum entorpercimento.
Essa postagem só foi possível por um entorpecimento que me fez pensar nisso que estou escrevendo, não diria nem pensar e sim refletir nessa ideia que estou apresentando, não é uma simples apologia aos alteradores psíquico, mas sim algo que acredito que me faz entrar em novos mundos e me faz por um momento sair da rotina e da mesmice, para entrar em realidades pararelas que mesmo que seja apenas algumas horas de anestesia alcoólica, cannabistas, ou que seja, sempre traz os bons efeitos lancinantes de euforia, agitação e bom ânimo.
Tudo isso só é possível porque através dos alteradores que se fizerem necessários, conseguimos sair do jugo oneroso da racionalidade pragmática e retirar o fardo idiota da reflexão moral de bom cidadão, respaldado pelo orgulho dos que não conseguem chegar a leveza do ser, por isso a importância da boêmia, pois ela que nos faz mergulhar como um peixe perdido na imensidão do oceano, procurando no desconhecido e no novo encontrar as pérolas da felicidades que estavam perdidas por lugares inóspitos e sinuosos, porém cheio de vida.




Saudações Repletas de Boêmia

Criei esse blog no intuito de extravasar em palavras o que me sufocava por dentro, usando a escrita - através de devaneios, de ideias ou qualquer sentimento que brotasse no momento em que abrisse o word - como um meio de respirar algum tipo de alívio paliativo dos tormentos insones da madrugada. Com essa nova tática fiz do meu blog meu conselheiro ,meu amigo, meu remédio e meu divã, as noites que procurei consulta nesse psicólogo foram sempre regidos por uma amiga fiel, que quando de forma intensa procurava-me e com toda força possuía-me me inspirava e me dava o tempo necessário, para que como hoje pudesse escrever alguma coisa. Alguém quem saber quem é ela? Leia essa chatice abaixo que por seu companheirismo, tormento e inspiração resolvi lhe dedicar toda essa prolixa descrição.

Que tormento és tu que me fazes ter medo de ficar sozinho, fazendo-me buscar fora do conforto do meu leito a paz e o descanso diário que preciso?  Que perversa és tu que me fazes ver clarear o dia na solidão e na ociosidade do tempo? Que terrível és tu que fazes minha noite virá dia e meu dia virá cansaço? Que onerosa és tu que me maltrata com indagações introspectivas, com anseios do devir e com dores nostalgicas do que não pode voltar? Que perniciosa és tu que me aflinges com traumas e de forma sorrateira vem com sua dominação completa de meus pensamentos, fazendo-me pensar no que não quero? Que bandida és tu que me rouba a tranquilidade, me furta o repouso e inescrupulosamente me aprisiona em um hiperativadade sem fim? Que persistente és tu que diariamente me procura sem eu te querer, exigindo de mim tua total atenção?  Quão odiosa és tu que me tira a bondade e alegria para provar que és má? Que sequestradora és tu que encapuça minha normalidade e me faz viver em um rotina de um louco? Que droga és tu que me ofereces remédios e tranquilizantes, querendo destruir minhas forças físicas, por não achar pouco destruir apenas minha mente? Que química és tu que enlouqueces meu cérebro e suga minhas substâncias essenciais? Que torturante és tu que se regozija da minha intranquilidade? Que maléfica és tu que como uma harpia perigosa finca tuas unhas suja em meus sonhos e me faz voar em ares sujos do desespero? Que maníaca és tu que gostas de me atormentar o dia me fazendo procurar as efemeridades da noite? Que possessiva és tu que não se importa com meu vilipêndio e não me abandonas nunca, pois sempre quer a minha atenção?  Que detestável és tu que escolheu me amar por minha fraqueza sentimental? Que sem escruspulos és tu que não se compadece de mim? Que covarde és tu que me jogou em um labirinto sem saída com caminho sinuosos? Que medrosa és tu que não se contentastes de me maltratar sozinha e chamastes tuas amigas para perfurar com ódio e rancor minhas emoções?

Que criativa és tu que abre minhas veias poéticas? Que loucura és tu que faz brotar em mim sentimentos quem sem vc não consigo sentir com tanta intensidade? Que poderosa és tu que customiza o tempo fazendo ele parecer ter mais de 24 horas, me fazendo passear no ramo das artes observando-me silenciosamente inspirar-me com a música, filmes e poesias? Que caravela és tu que me fazes navegar em oceanos de pensamentos impulsionado pelos ventos da criatividade, reflexões e abstrações literárias? Que egocêntrica és tu que me inspira a falar sobre si mesma?

Quem és tu que me conveces que o céu é infinito? Quem és tu que fazem da minhas palavras poesias e da minhas poesias vida? Quem és tu que me inspira a desabafar minhas angústias através de palavras? Quem és tu que me fazes tornar um blog um divã? Quem és tu que me fazes deixar de sonhar subconscientemente pra fazer-me sonhar conscientemente? Quem és tu  que me fez apaixonar-me pela madrugada e detestar o dia? Quem és tu que me fazes ver adormecendo ao meu lado a minha amada fazendo-me invejar seu sono tranquilo? Quem és tu que só vai embora sobre embalos de canções? Quem és tu que sem pestanejar vai embora quando uso o psicotrópico tetra-hidra-canabinol? Quem és tu desgraçada infame, prostituta insaciável, maldosa, vil e opulenta ? Quem és tu meretriz sanguessunga? Quem és tu agiota usuária que me cobra exorbitantes juros hiperativos por algumas horas de sono? Quem és tu mal do século infectada pelo opróbrio incensante da correria da modernidade? Quem és tu que aprisiona o relógio e me faz perder a contagem do dia? Quem és tu sanguinária possessiva que já me fez chorar, desesperar, amedrontar, sonhar e ver as estrelas? Qume és tu dualidade de vilanias e virtudes? Quem és tu espectro do mal com auréolas do bem? Quem és tu paradoxo incongruente de letras disformes? Quem és tu  espiã de segredos pessoais? Quem és tu  amiga insaciável que me faz querer beber todas as gotas de vinho possível? Quem és tu que entorpece meus pensamentos de devaneios fazendo balbuciar de forma escrita loucuras? Quem és tu que me fazes sentir-me esquizofrênico e anormal? Quem és tu que me ajuda a refletir sobre as melhores decisões? Quem és tu que me fazes agir precipitadamente? Quem és tu que se tornou companheira das minhas noites e já me fazes esperar-te sabendo da tua pontualidade e assuidade? Quem és tu que me fazes olhar de vez em quando as estrelas, tomar um leite quente na madrugada, procurar as notícias que o dia corrido não me deu tempo ler, que me fazes ler um livro de forma incensante, que injeta heroína psicodélicas sobre meus pensamentos e que me fazes lembrar da pessoa amada durante toda noite, fazendo desejar-lhe que quando o sol apareça  derrame serotina sobre seu cérebro dando ao seu corpo a vontade de sorrir e possivelmente a esperança de lembrar de mim? Quem és tu que me fez repetir várias quem és tu e não se contenta com a prolixidade desse texto?





- Quem és tu ? (digo eu)
- Ok, vou falar, mas peço-te que me reveles por códigos. (diz ela)
- Tudo bem.




Ainda bem que me falastes a tempo... sim, eu tinha plena certeza que eras tu, agora que já sei quem és, peço-te que se retire do meu quarto, prometo colocar Bob Dylan que tu tanta gostas de ouvir, para velar meu sono por vários minutos até ir embora.
Amigos acho que ela já se acalmou agora dormirei antes que ela resolva voltar.

Saudações Insones Para Quem Dorme



De repente sou surpreendido no meio de um novo mundo, que dificilmente alguém seria capaz de acreditar que existisse, é tão belo e único que sou incapaz de descrevê-lo em sua plenitude, mas mesmo assim tentarei descrever o que consegui visualizar desse magnífico local. Ele possuía um aspecto rústico porém extremamente aconchegante, as casas que tinham uma arquitetura inovadora, não possuía portas, janelas ou cercas, de uma forma impressionante eles se amontoavam em uma forma circular umas de frente para as outras com um toque visilmente interativo,nos arredores desses círculos de casas, via-se jardins de flores exóticas de todas as cores causando um efeito quase psicodélico aos olhos, animais domésticos ficavam livres pelas ruas com a expressão de liberdade extrema que também era vista nos moradores desse local, de alguma forma esse recanto sastifazia todas as minhas necessidades,em poucos segundos eu conseguia respirar uma paz interior que procurei de todas as formas, entre psicotrópicos, festas e amigos que da mesma forma efêmera que surgem se dissipam.

Caminhando ao longo dessas casas escutava-se em algumas uma melodia suave de boa música sendo cantadas em vozes tão harmoniosas que chegava a ser sublime,vozes essas que seguiam o ritmo das guitarras que com um som perfeito se mesclava com piano e sax, olhava estupefato para o interior dessas casas e via nas pessoas a expressão verdadeira de uma felicidade desconhecida por mim naqueles rostos, eles eram sonhadores, aventureiros, meio loucos às vezes, visivelmente notava-se que eles viviam em uma forma de comunidade onde todos se conheciam e se respeitavam, sorriam de uma forma transbordante, às vezes imaginava que todos estavam entorpercidos de algum alucinógeno, mas descartei essa ideia depois  de perceber a firmeza e a convicção que eles conversavam, o mundo alí nada mais era que um palco sujo qualquer q eles caminhavam, sem se preocupar com as precariedades dele, percebia que eles se importavam apenas em  viver de forma completa e profunda a vida, a moral era algo que parecia não existir, todo tipo de promiscuidade existia, mas parecia que esse novo lugar não tinha concebido a ideia criado em nossa sociedade do amor mogâmico, do inferno do vulgamento alheio e do ter em vez do ser. 

As pessoas cresciam em um respeito mútuo e principalmente na ideia de julgar apenas a si mesmo. De tanto contemplar essa nova realidade, que meus sonhos mais intensos nunca foram capaz de conceber,  entrei em uma espécie letargia introspectiva da surrealidade desse momento, de forma inexplicável estava em um local que outrora era tão quimérico que não conseguia ser imaginado nem nos livros mais utópicos. Nesse verdadeiro oásis não era necessário drogas, pois a realidade não precisava ser distorcida para se encontrar em um novo mundo que fuja da atual, pois ninguém queria entrar outra realidade. O sangue dessa gente parecia ser composto de THC, todos eram calmos, tranquilos, amorosos, solícitos e divertidos. Alí a amizade era como se fosse um elo tão profundo quanto os laços afetivos de mãe e filho, uns ajudavam aos outros e o amor conjugal era tão leal e sublime que o filmes mais piegas não conseguiria traduzir em imagens e sentimentos, pois ele tinha uma cumplicade repleta de carinho e dedicação que os melhores atores não conseguiria interpretar.

Não havia leis, proibições ou jurisdição tutelando as pessoas, todos eram livres e faziam seu próprio código ético, a mentira, dissimulação e contendas interpessoais eram tão repudiadas quanto um crime hediondo em nossa sociedade atual. Não havia traições ou ciúmes entre eles, porque eles tinham a boa ideia de não se sentirem donos de ninguém, não havia exigências e cobranças entre si, todos por livre e espontânea vontade se doavam e se dedicavam ao próximo não por cobrança, ou por um laço afetivo criado, mas por sastifação pessoal, pois entendiam que destilar amor era a melhor forma de ser especial e inesquecível.

A leitura, erudição, boa música, filosofia, compreensão do universo e de si próprio eram assuntos prioritários entre eles, haviam exposições de várias ideias diferentes que se concatenavam até formarem um excelente dialogia, todas as opiniões eram respeitadas e aproveitadas, como se de alguma forma eles percebesse que todos eram essenciais na construção da melhor ideia possível, não havia entre eles trabalho individual, pois acreditava-se que a totalidade não é feita de forma homogênea e singular e sim do complemento das especificidades de cada um. Eles não eram iguais, nem padrozinados, eram diferentes, uns calmos, outros mais agitados, uns bem dotados de saber científicos, outros de saber tradicional, uns gostavam de blues, outros de rock, uns eram jovens, outros eram de idades avançadas, mas de forma uníssona e carismática eles acreditavam que ninguém era melhor que ninguém, mas deliciosamente diferentes.

Era um forasteiro alí, desconhecido e com valores imbecis da sociedade que vinha, mas eles me acolheram alegando que só consegue continuar maquiavélico e mesquinho entre eles as pessoas que não recebem amor e se fecham para conhecer a beleza que cada um pode oferecer e eles estavam dispostos a me conceder a graça de ser respeitado pelo o que sou, pelo o que creio e pelo que sonho e que não precisaria mudar minha personalidade para se adaptar a deles, e sim fazer uma dialogia da minha com deles até chegar de alguma forma em um ponto de respeito e admiração que tornaria a convivência amorosa, fincadas nas raízes suprema da chamada Amizade.

Pena isso tudo ser apenas um devaneio introspectivo de um noite insone, de alguém que a todo momento busca fugir dessa realidade, como um alquimista que procura fazer experiências para encontrar o que não pode ser encontrado, mas que sua persistência e determinação acredita ser possível, como esse alquimista vou fazendo as minhas próprias experiências buscando encontrar esse paraíso que nunca vai existir, mas que nunca vai deixar de ser a eterna quimera desse esquizofrênico que vos escreve.
A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata.
Virginia Woolf


Saudações Quiméricas


Nuvem de Calças
Fragmentos... (Maiakóvski)

Alo!
Quem fala?
Mamãe?
Mãe!
Teu filho está esplendidamente enfermo.
Tem um incendio no coração.
Dize às manas Ludmila e Olga
que ele já não sabe pra onde ir.
Que cada palavra
Até a mais leve graça
que lhe sai da boca ardente
salta como uma prostituta nua
fugindo de um bordel em chamas

As gentes farejam:
_ " Cheira a queimado!"
Chamaram a quem?
Brilham capacetes...
São inúteis essas botas gigantes...
Dizei aos bombeiros
que subam ao coração em chamas
com um par de carícias!
Eu mesmo
derramarei de meus olhos
tonéis de lágrimas.
Deixai que eu me apóie
em meu próprio peito.
Saltarei, saltarei, saltarei!
É inútil. Tudo desaba.
Jamais fugirás de teu próprio coração.

No rosto queimado
pela fenda dos lábios
um beijo carbonizado
assoma
pronto a saltar.

Mãe!
Não posso mais cantar.
No templo de meu coração
o altar está em chamas!
Palavras e números
como figuras ardentes
fogem de meu crânio
como crianças de uma casa em fogo.
Era assim que o pavor
de não poder agarrar-se nas núvens
erguia os braços-labareda do Lusitania

Ante a tímida gente
que vive na paz caseira
ergue-se um halo de incêndio
de mil olhos.
O meu derradeiro grito!
Dize aos séculos futuros
pelo menos isto:
Que eu estou em chamas.

Esse poema desde a primeira vez que li impressionou -me de uma forma, que sempre releio em busca de uma análise introspectiva dos meus sentimentos e de como ele consegue se encaixar em várias situações da minha vida. Explicar o sentindo dele é tão complexo como conseguir compreendê-lo em sua totalidade, o que tentarei explanar aqui através dos meus devaneios, são apenas sentimentos novos, alguns desconhecidos e outros bastante repetitivos e insistentes, mascarado dessa vez com desconhecidas cores.

O bom de sermos diversificados é a possibilidade de vivenciarmos várias emoções ao mesmo tempo, alimentando assim nossa bipolaridade até fazer sentir o fervor dos extremos, vivenciando alegrias mentirosas, felicidades desconhecidas, desejos irreais e sonhos fictícios que só conseguimos visualizar de olhos abertos com a doce ilusão de fazê-lo real. Mas, o importante é sonhar e fazer da mais leve graça um espetáculo que faz sorrir a angustiante solidão do viver.

Fazendo uma analogia de sentimentos com essa prostituta fugindo em um bordel em chamas, me faz pensar que a prostituta do sentir é a solidão de um prazer efêmero, um desejo comprado, uma sastifação física sobre os moldes de quem se doa por necessidades e de quem compra por carência. Nossa meretriz sentimental nada mais é que nós mesmo buscando vender nossa alma por grandes amores que vem e nunca voltam,  amiúde adquiridos por pessoas que usam a máscara da força sentimental, tentando vencer uma espectro imaginário de outrem que já se foi.


 Alegraria-me grandemente acordar desses sonhos intranquilos e perceber que esse bordel que pega fogo foi apenas um pesadelo, fazendo-me sentir a paz de uma doce  vida tradicional de uma exemplar família cristã,  caminhando sempre sobre a falsa realidade de uma normalidade ilusória, que apenas segue o rumo de mentiras que se tornaram verdades e de verdades que se tornaram apenas uma utopia distante. O difícil é saber quando estou acordado ou dormindo, a rotina instigante desse vai-e-vem impede que a minha cognição consiga diferenciar verdade de ficção, criando assim a dúvida dolorosa: o fogo que eu vejo queima-me ou é apenas uma labareda fictícia de um “teatro sem cor”.



Enquanto não consigo distinguir o real do irreal vou intextualizando a poesia do magnífico Maiakóvski com a música Luz Negra interpretada por Cazuza, que faz queimar em minha alma chamas de pensamentos nostálgicos e sorumbáticos :

"Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém...

...A luz negra de um destino Cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde eu tô representando o Papel
Do palhaço do amor”

Refletindo sobre isso o que me resta é pedir aos astros e aos deuses do Olimpo que me envie o doce aconchego de um auxílio humano, que faça-me com suas carícias e amor, apagar essas labaredas que carbonizam minhas emoções com a fúria destrutiva da solidão. Que a personalidade desse auxílio seja ingênuo e meigo de um jeito que faça-me mergulhar como uma criança na deliciosa calmaria do fundo de um oceano, onde o fogo da dor e da angústia fiquem distantes, dando lugar apenas a linearidade boa de um horizonte interminável de alegrias duradouras que jamais se tornam insaciáveis.



Que nas noites que o fogo conseguir me encontrar e o que o aconchego dos braços que me protejam não forem suficientes, ela carinhosamente cante com sua voz suave a estrofe desse poema...

...Agora vamos alcançar
Tudo o que não
Podemos amar na vida
Com o estrelar
Das noites inumeráveis...

Saudações em Chamas Para Quem é Frio


Tenha plena convicção que não haveria momento mais propício para escrever qualquer devaneio como nesse momento, coloco para ouvir o som suave e impactante de Vangelis do albúm cosmos, assisti dois filmes sobre a segunda guerra, estou em pleno um sábado ilhado na minha casa, buscando na madrugada refúgios em filmes, músicas e livros, posso me alegrar por está me alimentando de arte, o difícil é somente controlar minhas angústias provindas das reflexões e introspecções instigadas fortemente por esses meios de entreterimento.

Minha vontade de forma alguma seria ficar em casa, queria estar por aí, servindo ao deus baco, animando-me com minha parceira boêmia e dançando com a promiscuidade, vivendo as efemeridades ilusórias da alegria, tomando meus pauliativos eficazes de combate a solidão e a amargura. Amigos, bebedeiras, curtições, lugares que não gosto, pessoas e mais pessoas, tudo isso para evitar a tão detestável solidão, fugindo do maior medo que é se enfretar com a própria situação. O difícil disso tudo é ter que criar uma rotina que sempre te ocupe, que esteja sempre fazendo a máscara dessa ilusão permanecer, não parar nenhum dia para se deparar com a verdade e deixar agir a temível bipolaridade.

A mutabilidade das dores que nunca sei onde dói que é o melhor de tudo isso, sempre estou sendo ensinado em alguma área ainda desconhecida, sobre a dor do amor há alguns anos atrás já experimentei, a dor do isolamente já venci também, enfrentar a própria vilania já consegui aprender e conviver. Sonho mesmo que os pombos do acaso pouse nos meus ombros trazendo consigo o doce aroma de uma felicidade desconhecida, de um ineditismo profundo e bucólico, de uma paz campestre, de um suspiro puro de sabores novos e de realidades coloridas e cubistas.

Cansei de navegar no mar, parece que o balanço das águas não me instiga mais, as tempestades não me assustam mais, por um tempo desejei mais que tudo que elas não me amendrontasse, mas agora vejo que ignorá-las é se tornar letárgico, mórbido, frio e apático, tudo isso por agora saber que as batalhas são substâncias essenciais de aventuras e aprendizado. Queria muito trocar meu barquinho por um grande balão e com ele viajar junto com os pássaros migrando sempre de um lado para outro, atravessendo céus de muitas cidades sem olhar para baixo, olhando sempre para frente com o único e simples objetivo de chegar ao ponto desejado ou apenas sonhado. Parafraseando Red Hot Chilli Pepper e Zeca Baleiro em respectiva ordem,” võe na minha asa-delta, pois os pombos podem voar alto, mas insistem em comer as migalhas do chão”.

Saudações do Acaso Para os Perdidos.

Completamente enebriado de sentimentos começo a tecer essas palavras, palavras que me vem soltas, que não possuem uma ideia central, uma coesão nem uma ordem métrica com paradigmas e linearidade, elas são sopradas como uma folha seca em um dia mórbido e triste em um local deserto, todas me vêem a mente como lâminas afiadas e sem direção, tortura-me pensá-las e se torna impossível entendê-las, uma energização toma conta do meu corpo como se todos esses sentimentos fosse algo palpável, e porque não seriam? É agoniante e ao mesmo tempo saboroso esse êxtase, sinto-me triste e desamparado com a profundidade dessa emoção e ao mesmo tempo sinto-me livre, alto, grandioso e poético só de saber que posso encontrar essa plenitude de sentimentos.


Nesse mergulho sinto toda a minha razão saindo um pouco de cena e os sentimentos totalmente aguçados, meu materialismo, meus axiomas, minha certezas, meu temperamento, flutuam por entre novos mares de sentimentos maravilhosos, de alegrias rememoradas, de sabores nostalgicos, de sons futuristas, de pensamentos que não quer pensar nada do que não seja esse belo dia presente. Queria ter o dom de grandes poetas para conseguir transcrever essa bela emoção dialogando com essa sombria tristeza. Não falo da tristeza no sentindo literal, mas de uma introspecção que te faz sangrar, de uma emoção que te faz entristecer, de uma dor que te faz sorrir... É uma loucura do sentir, que se alegra em ser louca, de não ligar para a conformidade da avaliação, de não buscar a aceitação alheia, de não precisar de nenhum outro reconhecimento que não seja do seu próprio mundo, uma esquizofrenia do sentir que não consegue se expressar e nem consegue ouvir, consegue apenas sentir, vibrar, ver as belezas com outras cores, olhar o antigo brinquedo esquecido pela convivência e encontrar nele alma e novas cores, um tom chamativo de novidade.



Como é boa essa loucura do sentir, os sentimentos sem razão prévia, sem horários, sem métodos, sem cálculos, sem jogos, uma emoção que ninguém lhe proporcionou mas que você sozinho conseguiu encontrar, como se tivesse em meio a páginas e páginas de um grande livro e encontrasse uma que se dedicasse só a vc, um novo espetáculo, com novos espectadores, um novo sentindo ao egoísmo, uma sentir sem depender do outro, uma graça contínua de sorrir e se divertir.
Uma dor agoniante, uma emoção frustante, um largo sorriso, uma pequena lágrima e uma grande emoção, uma mutação de sentir que não precisa do pensar, um TOC de ideias, uma viagem psicodélica, lembro-me de uma música que não me recordo, entre tantas emoções deve ter alguma que sirva.

Por incrível que pareça isso tudo foi apenas uma introdução que essa cachoeira do sentir não quis cessar. Lembram-se que falei sobre a realidade paralela? Sinto-me assim nesse momento, acabo de assistir mais uma vez Sociedade dos Poetas Mortos, assisti pela primeira vez com 17 anos, 4 anos depois assisto novamente, com um novo olhar, uma nova perspectiva, com uma nova consciência, quando assisti pela primeira vez ainda não tinha lido Thoreau, ainda não gostava muito de poesia, por fim terminei o filme, em uma realidade onde as estrelas podiam ser tocadas, onde os deuses seriam cordiais e gentis, onde o belo dia chuvoso de nuvens carregadas trouxesse um forte brilho no seu cinza, gotículas de órvalhos correndo no rosto com uma doce essência desconhecida pela aparência. Meus sentimentos apreciam a simplicidade nessa nova realidade e todo aquele chato vocabulário fica para outros textos, quero exprimir o óbvio repetitivo da profundidade anestesiadora desse momento, fazer das palavras sentimentos que nunca nem um leitor vai conseguir sentir igual, (fará sua nova criação com suas novas loucuras), nem dimensionar essa sinceridade.








Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.





Um sentir tão poderoso, que as palavras fogem como prostitutas em um bordel em chamas parafraseando Maiakóvski, não vejo uma forma racional de concluir essa postagem, não consigo delimitar um fim, não queria o fim desse sentir atual, queria que pela primeira vez algo fosse eterno e eternizasse esse momento de forma repetitiva e chata, para que os sentimentos nobres sorriam e digam em voz alta em ar sarcástico, eu te disse... realmente incoerências me arrebatam nesse momento e não vou fazer você perder mais tempo com esses devaneios. :D


Saudações Esquizofrênicas.



Entre livros, filmes, coisas impressionantes e êxtases que vivenciamos, as vezes são tão profundos e nos instiga tanto que parece ser irreal... Além da qualidade expressiva de sentimentos que estejamos presenciando tem o fato de nosso estado emocional que pode nos remeter a essa realidade paralela. Lembro-me que alguns filmes me desnortearam tanto que as coisas que estavam ao meu redor parecia apenas sombras e uma criação da minha própria mente. Deja vú, experiências estranhas, coisas anormais, realidade mutáveis, muitas coisas realmente são assustadora do ponto de vista da normalidade.
Adoro ler sobre física quântica e o programa de neurolinguística eles falam bastante sobre essa realidade paralela, mas mesmo sendo muito bons, ainda estamos muito distantes de entender o funcionamento da nossa mente, do seu poder e dos seus mistérios. Enquanto não conseguimos tal e feito e continuamos apenas conhecendo as 4 dimensões, vamos nos aventurando no desconhecido.Uma ótima coisa para viver uma realidade paralela sem ser por meio de funções do sentimento é alteração da combustão do cérebro com composto químicos como a cerveja, é adorável e perturbador viver por algumas horas uma realidade que foge da sua razão métrica e vai se delineando pelos instintos e o subconsciente. QUERO BEBER! hehe.

Esse vídeo apesar de bastante sorumbático é um resumo lindo e altamente belo do que tentei passar, ele que me influenciou a compartilhar essa postagem.

O curta-metragem Vincent, de 1982, é o primeiro filme com a assinatura oficial de Tim Burton. Com a duração de 6 minutos, a animação foi produzida através da técnica stop-motion e em preto & branco. O filme conta a história de Vincet Malloy, um menino de 7 anos de idade que sonha em ser Vincent Price. O garoto de imaginação fértil vê sua casa como um grande castelo onde ele poderia fazer suas experiências como, por exemplo, transformar sua tia em um boneco de cera ou seu cachorro em um zombie. Leitor de Edgar Allan Poe, confunde sua realidade com as histórias do escritor.

Gênero: Curta / Animação
Ano/País: 1982 / USA
Director: Tim Burton


Saudações de Outras Dimensões





Tive um fim de semana altamente estúpido, mostrei o quanto posso ser vil e ordinário, um riso de alegria veem aos lábios, uma tortura psicológica na mente e uma infinidade de pensamentos soltos. Percebi antes de qualquer coisa, que ser estúpido ajuda na criatividade. Mas vamos lá, a muito tempo venho trabalhando ou pelo menos reconhecendo meus mesquinhos defeitos. É legal saber com o que você está lidando, com o que irrita as pessoas, como se você tivesse assistindo em uma TV suas próprias atitudes, mas em vez de corrigi-las, apenas aprecio como algo qualquer. Ouço sempre pessoas comentando o quanto sou idiota, chato, insuportável e afins, sou tão acostumado que isso já se tornou até comum. Como não quero ser estúpido de falar e falar sobre estupidez, tentarei ser um estúpido de ideias estúpidas com uma pitada de surrealidade, psicodelismo e um pouco de loucura.  




Dizer que não estamos nem aí para a opinião alheia é uma mentira que acho ser altamente estúpida, sempre tentamos alçar algum tipo de reconhecimento, seja ele do grupo que estamos inserido, na família, enfim, qualquer lugar que tenha algum tipo de relação interpessoal. Vivemos sempre apresentando o que achamos que somos, uns se mostram tímidos, outros extrovertidos, chatos, interessantes, bonitos, feios, inteligentes, arrogante e vários outros adjetivos pra chegar na classe da qual vos falo que é a dos estúpidos.


Não interprete o fato de me reconhecer como estúpido como um pessimismo, mas sim uma dedução de minhas próprias atitudes, poderei mudar isso? Claro que sim! Tudo podemos... Mas qual o sentido de mudar, não estaria sendo um estúpido fazendo isso? anormalidades, idiotices, maluquice, falta de senso, de noção, de juízo, são as características que vem enraizado nessa estupidez surreal e porque chamá-la de surreal? Todo esses adjetivos e ações, são algo real que criamos através do que acreditamos ser verdade através da nossa psique, criamos uma face de representação para o meio social que queremos exercer cada uma das características acima citadas. 


Outra coisa que a estupidez que estou falando traz consigo é a insensibilidade, muitas vezes procuro no meu profundo âmago um arrependimento das horríveis atitudes que tomei, só para dizer para o meu ego que não sou tão estúpido, mas não consigo encontrar, meu ego possui um exército que destrói meu lado altruístico e muitas vezes racionais. Vencer, vencer, não se contentar nunca com a derrota, são pensamentos estúpidos, eu sei, mas é o surreal que criei e convivo, mostrar-se superior também, horríveis características carregada da suposta qualidade criada que é a sinceridade para os revelar. Creio ter outras qualidades, claro que tenho, afinal sou um estúpido-egocêntrico-arrogante, mas é preciso vencer essa barreira altamente chata, ou seja conseguir me aturar, para encontrar algum tipo de qualidade. Não gosto de escrever na primeira pessoa como fiz em alguns momentos, mas seria um estupidez chamar todos que estão lendo de estúpido e não gosto de ficção, talvez por ser estúpido.





Só quem puder obter a estupidez
Ou a loucura pode ser feliz.
Buscar, querer, amar... tudo isto diz
Perder, chorar, sofrer, vez após vez.

A Estupidez achou sempre o que quis
No círculo banal da sua avidez;
Nunca aos loucos o engano se desfez
Como quem um falso mundo seu condiz.

Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males –
É, vivendo-lhe o ser, saber que são

Um o horror real, o outro o vazio –
Horror não menos, dois como que vales
Ao pé dum monte que ninguém subiu.


Fernando Pessoa - 1909



Essa postagem não é um auto-flagelo porque na verdade não me incomodo com a estupidez, não me incomodo com esses horríveis defeitos, o que me incomoda é o fato de não poder externar com atitudes, palavras ou em um texto como sou estúpido, estupidez essa que magoa o próximo, que irrita quem assiste e que fatalmente torna sombrio quem o faz. A dialogia desse texto estúpido com imagens surreais lindas, é o que vivo com minha estupidez, faço belas pinturas mediado pela idiotice, tornando irreal o que sou, surreal o que tento ser e mentiroso o que digo ser. Tudo é surreal, porque tudo é um jogo, ser estúpido é um jogo, dizer que sou estúpido é um jogo, dizer que jogo é um jogo... enlouqueço a minha própria razão com minha incoerência gritante de mutações surreais intermináveis.



Somos os deuses de nossa realidade, criamos as pessoas que estão a nossa volta, criamos uma visão sobre elas, sobre o que nos cerca, sobre o que é bom, o que é ruim e principalmente criamos a nós mesmo, com nossos adereços, fantasias, sonhos, falas, nossa platéia, nosso ritmo, nosso mundo. Temos o poder de criar deuses, temos o poder de criar não acreditar neles, temos tanto poder que nos tornamos fracos. A indagação do que queremos é um stigma que carregamos e temos que suportar. A realidade é um mundo de sonhos, onde tu pode acontecer, o surreal é isso, acreditar viver um sonho que acreditamos ser realidade, ou uma realidade que acreditamos ser um sonho, ê laiá, o mundo que criei é imenso como o cosmo, sou uma fagulha na frente dele, mas apenas um singelo movimento meu o transforma, fazendo o caos e a beleza, o feio e o bonito, o amor e o ódio, todas as dicotomias possível até chegar no 'legal e estúpido.'





Saudações Estúpidas e Surreais

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Contato: wesley_diogenes@hotmail.com Quero explicar que o nome alquimista do saber vem da ideia de uma busca constante do conhecimento e do aprendizado, é como se fosse um aventureiro em busca de uma dialogia de filosofias para chegar a um determinado conhecimento, o nome do blog não passa de uma analogia e não se configura como uma prepotência da minha parte.

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Brilhar para sempre,

brilhar como um farol,

brilhar com brilho eterno,

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que tudo mais vá para o inferno,

este é o meu slogan

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Já dizia Dostoiévski em os Irmãos Karamazov: "SE DEUS não existe e a alma é mortal, tudo é permitido"


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"Um alquimista é aquele que vive sua lenda, Desbrava o desconhecido, que sabe que para chegar ao impossivel tem que caminhar por caminhos impossiveis. Brilha sua luz!Sua individualidade coletiva questionadora. Vamos nessa! Navegar é preciso." Clenilson Batista

Viagem Sensorial

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